Aparelhos provavelmente ampliaram a vantagem diante dos modelos rivais oferecidos pela Apple e Nokia, além de lutar contra RIM por espaço dentro das empresas
Em entrevista ao AllThings Digital, Shin Jong-kyun, presidente da divisão de TI e comunicação móvel da Samsung, afirmou que o novo dispositivo já ultrapassou a marca de 10 milhões de unidades vendidas para o canal de varejo, a porta do consumo final.
O cálculo é um só: pegando gancho na onda de consumerização, quanto mais usuários tiverem nas mãos os novos Galaxy S III, mais os aparelhos surgirão dentro das corporações, substituindo os devices existentes ou incentivando a compra por novos usuários. Aliás, este foi o movimento observado pela Apple em relação aos BlackBerrys, da RIM.
“Mas não podemos mesmo pensar que o mercado corporativo, na questão smartphone, está só entregue à Samsung e Apple”, pondera Fernando Belfort, analista sênior de mercado da Frost & Sullivan. “Há outros players que são top of mind de vários CIOs, como é o caso do BlackBerry, que é mais cômodo para a gestão de TI, devido ao histórico de segurança.”
No dia do lançamento do Galaxy S III, Michel Piestun, VP de Telecom da Samsung Brasil, afirmou que existe uma estratégia para o mercado corporativo junto a integradores e operadoras, e que para contornar as questões de segurança da plataforma Android, a Samsung adiciona uma camada de software para assegurar o ambiente e as informações do dispositivo. “Esta é a linha de raciocínio do negócio e estamos trabalhando para formar um time para isso”, contou na época Piestun, que não aprofundou os detalhes.
“A Samsung tem um versão do Android desenhada por ela, feita para uma série de integrações com aplicativos e softwares de empresas de grande porte, e este é um desafio a parte deles, pois é hora de comunicar isso para, de fato, entrar no mercado corporativo”, avalia Belfort. “Óbvio que o Galaxy S III mostra grande aptidão de entrar nas empresas, mas há um caminho a ser trilhado.”
O analista ainda deixa claro que esta comunicação deve ser bem alinhada com integradores e operadoras, tanto para abraçar a expectativa de mercado pontuada por Piestun, quanto para assegurar os negócios via parceiros.
América Latina
Enquanto as vendas do Galaxy S III decolam no mundo todo, e surgem essas expectativas quanto ao pouso dentro das empresas, Brasil e América Latina ainda são grandes berços para dispositivos iOS, seja iPhone ou iPad, e BlackBerrys. “A realidade da região é muito diferenciada e, novamente, por mais que a Samsung mostre essa força de seu novo dispositivo no varejo, a porta do consumo corporativo é bem diferente”, analisa Belfort.
BlackBerry Mobile Fusion
Oficializado este mês pela RIM, o Mobile Fusion consegue gerenciar dispositivos BlackBerry OS, Android e Apple. Para o analista da Frost & Sullivan, a solução pode manter a RIM ainda no topo das escolhas dentro das empresas. “Já que na região, por exemplo, BlackBerry e iOS são os mais vendidos e todos os dispositivos móveis devem ser gerenciados, o Mobile Fusion pode surpreender no mercado Mobile Device Management (MDM) e colocar a RIM de volta aos trilhos”, pontua. “E ainda há a chegada do BlackBerry 10 no ano que vem, o que pode deixar essa suposta competição Apple e Samsung com mais um rival.”
Apple
Aquele “cálculo” feito logo acima é o desafio da Apple para o iPhone 5. O canibalismo do mercado corporativo, ditado em parte pelo consumidor final, pode atingir em cheio a relação da companhia de Cupertino dentro das empresas.
O iPhone 5 deve chegar às lojas em outubro, com tela maior, mais fina e recursos de busca aperfeiçoados, e a tempo para as festas de final de ano, o que daria novo fôlego ao negócio de smartphones da companhia e, claro, força para correr atrás do intervalo corporativo frente ao mercado que vai sendo cada vez mais “enfeitiçado” pelo novo gadget da Samsung.
Não só isso, a empresa deve reportar expectativas modestas neste trimestre. “A Apple não é mais a empresa que supera as projeções a cada trimestre”, disse à Reuters, Tim Lesko, diretor de carteira da Granite Investment Advisors, que detém ações da Apple. “Espero que a ela supere as projeções internas da empresa, mas não sei se superará as de Wall Street”.
A expectativa é de que a Apple registre lucro de 10,35 dólares por ação no terceiro trimestre fiscal, com faturamento de 37,2 bilhões de dólares, de acordo com a Thomson Reuters I/B/E/S.
Cenário
A disparada nas vendas do smartphone Galaxy levou a Samsung a um lucro trimestral recorde de 5,9 bilhões de dólares. Os aparelhos provavelmente ampliaram a vantagem diante dos modelos rivais oferecidos pela Apple e Nokia, apesar de uma escassez de componentes causada pela demanda superior à esperada pelo novo modelo S III.
[IT Web]







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