Atualmente, com a grande concorrência entre as empresas, se torna cada vez mais indispensável a redução de custos de uma forma geral na empresa. Esse fato leva a refletir sobre o gasto com energia não só na empresa industrial, mas também no comércio, na prestação de serviço, nas instituições de ensino, em organizações militares, entre outras, existindo várias maneiras de tornar eficiente e racionalizar o consumo da energia.
Somente o custo com energia elétrica nas indústrias aumentou 150% nos últimos sete anos, 83% acima da inflação do período, e se tornou a terceira maior do mundo, segundo dados da Agência Internacional de Energia, coletados pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). O preço do MW/hora saltou de R$ 92 para R$ 230. O aumento foi causado por um realinhamento tarifário, iniciado em 2003, que durou até 2007. O objetivo era eliminar o que o governo considerava como subsídio cruzado nas tarifas do país – algo que pode ser questionado, já que a indústria é atendida em alta tensão e, portanto, o custo para entrega da energia é menor. Dessa forma, o governo elevou os reajustes para a classe industrial e reduziu o ritmo de alta para o residencial.
Esse aumento causa grandes problemas para as empresas brasileiras já que há casos em que o consumo de energia representa até 45% do custo total. O avanço dos custos da energia nos últimos anos puniu, em maior escala, os grandes consumidores, mas afetou também a pequena e média empresa. A elevação do custo da produção industrial é também repassada para o consumidor. Ou seja, ele é punido duas vezes: pela tarifa de energia alta e por produtos mais caros. Os preços mais elevados também atrapalham a competitividade brasileira no exterior.
E o que os pequenos e médios empresários podem fazer para aumentar a eficiência de seus negócios e, ao mesmo tempo, cortar custos. Adapte seus horários de funcionamento ao horário de pico, pois o horário de pico está compreendido no período das 17h às 22h. Nesse espaço de tempo, atinge-se o auge do gasto energético no país, porque é nesse horário as pessoas vão para casa e realizam atividades que consomem alta quantidade de energia, como tomar banho e usar seus aparelhos eletrônicos – isso sem falar das fábricas que funcionam 24 horas por dia.
Aproveite a luz solar: abrir janelas, quebrar paredes e reaproximar os locais de trabalho da luz natural são atitudes que fazem com que se torne cada vez menos necessário usar a iluminação artificial. Invista na circulação do ar, pois uma circulação de ar mais eficiente pode fazer com que se necessite gastar menos com refrigeração. Segundo Araújo, um erro comum é o de pensar somente em entradas para o ar e não nas saídas. Invista no isolamento térmico seria outra forma de manter a temperatura de um recinto menos vulnerável ao calor que vem de fora é trabalhar seu isolamento térmico. Janelas duplas, que possuam uma camada de ar entre os dois vidros, diminuem a troca de calor com o ambiente externo, por exemplo.
Por fim, troque os equipamentos do seu negócio. Essa é uma forma bem conhecida de diminuir os gastos com energia elétrica – mas nem sempre aplicada – passa por mudar o tipo de lâmpadas utilizadas no empreendimento. As tradicionais incandescentes são as que mais consomem energia e podem ser trocadas pelas fluorescentes e pelas de LED, relativamente novas. Enquanto uma LED dura cerca de 50 mil horas, as incandescentes e fluorescentes duram 1,2 mil e 8 mil, respectivamente. Além disso, a primeira consome de 6 a 8 watts, enquanto as outras chegam a 60 e 15, respectivamente. E instale sensores de presença em ambientes em que as pessoas ficam por um pequeno período de tempo, como halls e banheiros, uma alternativa para que as luzes não fiquem ligadas o tempo todo é a instalação de sensores de presença. Isso permite que os equipamentos sejam ativados somente nos momentos em que há alguém utilizando o espaço.
Além disso, conforme afirma o presidente da Target Engenharia e Consultoria e do Instituto Tecnológico de Estudos para a Normalização e Avaliação de Conformidade (Itenac), Mauricio Ferraz de Paiva, a empresa precisa preparar os seus profissionais em curso sobre gestão de energia, que ensina como se implantar a norma NBR ISO 50001, visando permitir que as organizações estabeleçam os sistemas e processos necessários para melhorar o desempenho energético, incluindo a eficiência e intensidade energéticas. “A norma deve conduzir as reduções nos custos nas emissões de gases de efeito estufa e outros impactos ambientais através da gestão sistemática da energia. Ela se aplica a todos os tipos e tamanhos de organizações, independentemente de quaisquer condições geográficas, culturais ou sociais. Estudos em empresas alemãs revelaram um potencial médio de redução do consumo em até 30%, permitindo uma equivalente economia de custos e redução de emissões de CO2. Cerca de 10% deste potencial representa desperdícios que podem ser sanados de imediato, sem grande investimento: máquinas operando com carga abaixo da ideal; maquinário de fábrica sem a calibração ideal; maquinário ligado antes da hora ou operando sem necessidade para produção; e consumo de energia no ambiente de trabalho (iluminação, ventilação, operação durante intervalos, operação/luz acesa à noite) que pode ser otimizado”, explica.
Os 20% remanescentes são devidos a máquinas envelhecidas com eficiência energética reduzida. Neste caso, fazer uma análise do gasto de energia é uma medida sensata e vital. As medidas sugeridas por esta análise normalmente têm um retorno sobre o investimento dentro de dois anos. E a evolução que se espera dos custos no setor da energia (por exemplo, a realização de metas climáticas, bem como a evolução dos preços em todo o mundo) provavelmente reduzirão drasticamente o período até o retorno, no futuro. Por que não agir hoje, para estabelecer uma estrutura para a economia de energia no futuro?
Um sistema de gestão revela as oportunidades de economia mensurável de energia, identifica a melhor forma de as obter, estabelece metas e aumenta a eficiência de seu consumo – mais benefício, com custo menor. A norma habilita as organizações a estabelecerem sistemas e processos necessários para melhorar o desempenho energético, incluindo eficiência, uso e consumo de energia. Espera-se que a implementação dessa norma leve a reduções das emissões de gases de efeito estufa, custo de energia e outros impactos ambientais associados através de gestão sistemática da energia. Esta norma é aplicável a todos os tipos e tamanhos de organizações, independentemente de condições geográficas, culturais ou sociais. Sua implementação bem sucedida depende do compromisso de todos os níveis e funções da organização, especialmente da alta direção.
O padrão internacional especifica os requisitos de um sistema de gestão da energia (SGE) para uma organização desenvolver e implementar uma política energética, estabelecer objetivos, metas e planos de ação que considerem requisitos legais e informações relativas ao uso significativo de energia. Um SGE habilita uma organização a atender sua política energética, tomar as devidas ações de melhoria de seu desempenho energético e demonstrar conformidade aos requisitos desta Norma. Pode-se ajustar a aplicação desta Norma a requisitos específicos de uma organização – incluindo complexidade do sistema, grau de documentação e recursos – e abrange as atividades sob o controle da organização.
Essa norma baseia-se na estrutura de melhoria contínua do Plan-Do-Check-Act e incorpora a gestão da energia nas práticas organizacionais diárias, melhoria da competitividade e redução de emissões de gases de efeito estufa e outros impactos ambientais relacionados. Esta norma é aplicável independentemente dos tipos de energia utilizados. Pode ser utilizada para certificação, registro ou autodeclaração do SGE de uma organização. Ela não estabelece requisitos absolutos para o desempenho energético além daqueles estabelecidos na política energética da organização e de sua obrigação de conformidade a requisitos legais aplicáveis ou outros requisitos. Assim, duas organizações realizando operações semelhantes, mas com desempenhos energéticos distintos, podem ambas estar em conformidade com seus requisitos.
Por fim, a experiência tem mostrado que as empresas que conseguem efetivamente diminuir seus custos com energia são aquelas que tornam esse desejo uma meta real de gestão e conseguem transformar esse propósito em uma tarefa a ser obrigatoriamente seguida e assumida por todos os que trabalham na organização. Para isso, as mudanças técnicas e culturais necessárias para o uso inteligente de energia devem ser feitas de uma maneira organizada e de forma a envolver todos os setores ligados ao processo produtivo, dos responsáveis pela limpeza à diretoria. Organizar e integrar processos de bom uso de energia é exatamente a essência da Comissão Interna de Conservação de Energia. As razões para promover o uso racional de energia já são bem conhecidas. Além de diminuir a pressão sobre os recursos naturais – já que uma demanda menor de energia causa menor impacto sobre a natureza –, gastar menos energia significa gastar menos dinheiro. Com isso, a composição de custos de uma empresa torna-se mais favorável e sua competitividade no mercado aumenta.





